Empate
O gigante olhou para mim outra vez.
Mediu-me de alto a baixo. Cautela. Os olhos vítreos vazavam dúvida.
Andava ao meu redor, mantinha distância. Pela primeira vez, ele ponderava.
O gigante olhou para mim outra vez. Sua boca abriu-se com nenhuma força.
"E agora?", disse ele. "Você cresceu."
F.Schüler [9/26/2007 08:09:25 PM] Comentários:
Por um Punhado de Lindens
Depois de muita queimação de fosfato, muito delivery de comida japonesa, muita reunião e muita noite mal-dormida, está no ar a Ilha Bradesco no SecondLife, de cujo projeto este que vos fala foi orgulhoso participante.
Para quem usa SecondLife, basta procurar por Bradesco no mecanismo de busca interno. Quem não tem, visite o hotsite da Ilha Bradesco, que é linkado nesse site aqui.
Agora com licença que preciso jantar e dormir.
Update: em tempo, eu estou ciente da ironia que é eu estar fazendo um job para mais um banco.
F.Schüler [9/24/2007 10:50:49 PM] Comentários:
Linkzinho efêmero
Eu nunca fui muito fã de super-heróis, mas alguns filmes baseados em quadrinhos sabem ser bem divertidos. Ainda mais com uma trilha sonora sensacional.
Se vocês correrem, conseguem ver o trailer de Iron Man no YouTube antes de eles tirarem do ar, clicando aqui. Enjoy!
F.Schüler [9/20/2007 02:07:34 PM] Comentários:
O Katrina nosso de cada dia
No Brasil não tem terremoto, nem vulcão, nem tsunami. Não tem tornado, não tem furacão. Não tem monções, nem guerras.
Mas tem o governo.
E, se até com os Renan Calheiros da vida o PIB consegue crescer, acho que estamos indo realmente bem. Otimismo ainda não paga imposto, ou paga?
F.Schüler [9/13/2007 07:12:51 PM] Comentários:
O sufixo "-ólatra"
"Justice and liberty
You can't buy
But you don't get free"
-- Bruce Dickinson, "Born in '58"
Eu estou completamente fascinado pelo trabalho novo. Quem me conhece, além de saber que este entusiasmo tende a durar um bocado, também deve se lembrar de quando eu não costumava ter boas experiêcias em horário comercial, e provavelmente fica contente por eu ser hoje um sujeito plenamente feliz e não rançar todo santo dia sobre as mesmas velhas coisas.
Mas isto aqui tem seu preço na vida pessoal da gente (ou vice-versa, ainda não sei). Nem sempre é fácil explicar para as pessoas - especialmente quando não conhecem a fundo o mundo da publicidade - que ficar trabalhando até tarde ou passar um dia sem dar notícias não é sinal de descaso ou desinteresse. Que este trabalho é assim mesmo, sem horário fixo, meio imprevisível, e que gostamos dele assim, do jeito que é - como, aliás, gostamos da maioria dessas pessoas às vezes inocentemente desinformadas.
F.Schüler [9/13/2007 07:05:27 PM] Comentários:
Belisca!
Hoje é começar uma fase nova: emprego novo, função nova.
Desafio novo.
Bem do jeito que eu gosto, cheio daquele prazer de pisar no desconhecido, de abrir as portas sem saber o que há atrás delas.
Comecei hoje na AgênciaClick, baita nome quando o assunto é publicidade online. Sou o novo redator no núcleo Redes Sociais. Tenho um monte de projetos e conceitos novos (e, ao que parece, todos muito legais) para conhecer e ajudar a desenvolver.
No contexto da minha atribulada história pessoal e de todo o purgatório que foi a aventura de me estabelecer aqui em São Paulo (leitores novos, percorram os arquivos dos últimos 2 anos), isso aqui tem gosto de vitória, de champanhe e charutos. Sinto aquela coisa do vento mudando, do tempo virando a favor. Estou empolgado. Não, estou feliz. Quer dizer, estou eufórico. Melhor, eu diria que pareço uma criança. Faceiro, que nem guri de Kichute.
F.Schüler [9/3/2007 07:01:39 PM] Comentários:
"P-fifty-one! Cadillac of the sky!"
Jim: Dr. Rawlin, do you remember how we had helped build the runway? If we die like the others, our bones would be IN the runway. In a way, it's OUR runway...
Dr. Rawlins: No it's THEIR runway, Jim! Try not to think so much! Try not to THINK so much!
--
Jim: I was dreaming about God.
Mary Graham: What did he say?
Jim: Nothing. [smiles] He was playing tennis. Perhaps that's where God is all the time and that's why you can't see Him when you're awake, do you think?
Mary Graham: I don't know. I don't know about God.
Jim: Perhaps He's our dream... and we're His.
Steven Spielberg, Empire of the Sun (1987).
F.Schüler [8/26/2007 02:53:08 PM] Comentários:
Saia com as mãos para o alto
Não tente nenhuma gracinha, Fabiano. Você está cercado. É o que o mundo das finanças, dos números, da exatidão fria e da rigidez matemática e administrativa diz toda vez que me vê.
Enquanto a resposta que aguardo sobre meu futuro profissional não vem, fiz um novo contato para traduções como freelancer. Não tem muito trabalho, e eles realmente consultam a minha disponibilidade antes de me mandar qualquer coisa. E hoje, já que eu estava em casa, eles me mandaram o currículo de um desses sujeitos formados em Ciências Contábeis com MBA na Getúlio Vargas, Business English no exterior e borda de catupiry. Para verter pro idioma da Rainha, claro.
Como não sou de fugir da briga, tenho uma pilha de termos técnicos de finanças e economia para aprender. Here we go!
F.Schüler [8/24/2007 06:59:51 PM] Comentários:
Time off
Sim, meu contrato como freelancer acabou e eu estou numa entressafra de trabalho. O que é muito bom, porque estou conseguindo me dedicar à casa, à leitura, a ouvir música e a uma série de outras coisas.
Mas a principal atividade tem sido a espera. Fiz contatos muito bons e espero um retorno logo. Ansiedade, teu nome é Fabiano.
Aquisições
Encontrei no sebo que tem aqui em algumas coisas da Jane's, editora especializada em livros técnicos sobre armas e aviação militar. Comprei dois livros da mesma coleção, capa dura e formato grande, muito bem-ilustrados, sobre duas lendas da Luftwaffe: um sobre o bombardeiro de mergulho Stuka e outro sobre aquele espetáculo de caça que era o Bf-109.
Este último, escrito pelo Robert Grinsell, vai me ajudar a retomar meu kit em escala 1:48 da Academy que está abandonado há meses.
F.Schüler [8/23/2007 05:09:04 PM] Comentários:
Dos carmas
Eu passei os últimos três meses tendo a minha primeira experiência como redator de marketing de relacionamento. Começou como um contrato freelancer de um mês, parra um job específico, que foi depois prorrogado por mais dois para a realização de um segundo job, maior, para o mesmo cliente.
Isso não seria tão engraçado se o cliente atendido não pertencesse a uma classe de empresas de que eu (e boa parte da população, mas falemos de mim) tenho o mais intenso pavor: os bancos. E não me refiro ao pavor de tê-los como cliente, porque disso também foi minha primeira vez. Falo da fobia bancária que eu tenho na vida, mesmo. Isso de ter calafrios toda vez que preciso ver meu saldo. Ou parar numa fila. Ou então - horror dos horrores! - ter que adentrar um desses matadouros monetários para contrair, negociar, saldar dívidas.
E de repente, numa dessas viradas irônicas que a minha vida adora dar de vez em quando, lá estava eu, criando peças de comunicação para bancos. Dois deles. Grandes. Privados. Ricos. Bancos! Mais do que isso, criando peças em que os bancos, esses protagonistas dos meus pesadelos pessoais, são bonzinhos, legais e camaradas. E não é que foi fácil?
A flor da ironia? Com o oxigênio econômico (leia-se: dinheiro) do serviço, consegui pagar mais um bom pedaço daquelas velhas dívidas, tão comentadas por aqui em meses passados, e agora estou livre delas - ou em vias de.
Agora o contrato está terminando. É hora de assimilar as lições profissionais aprendidas e seguir adiante. O que será que vem depois da próxima curva?
F.Schüler [8/14/2007 06:25:30 PM] Comentários:
Monstro!
Parte vitrine de textos, parte diário, parte plataforma de auto-análise - e egotrippy até o osso. A Árvore está de volta. E eu vou retomar os trabalhos por aqui, porque o projeto profissional que estava tomando meu tempo nos últimos meses termina esta semana e eu estou ansioso por voltar a postar.
Além disso, este espaço é no momento a coisa mais próxima que eu tenho de um portfólio - e, pelo menos até que eu consiga um tempinho para criar um portfólio dedicado, vai ser aqui que as pessoas virão para conhecer meus talentos como redator, ou a falta deles. Se é o caso e o prezado leitor for algum empregador em potencial, seja bem-vindo, desculpe o mau jeito e saiba que eu sei escrever, editar, traduzir do inglês e fazer café.
F.Schüler [8/14/2007 11:45:26 AM] Comentários:
BRB
Sim, estou vivo.
Não, este blogue não está extinto.
Sim, eu vou voltar a escrever.
Sim, vai ser logo.
F.Schüler [8/7/2007 09:05:57 PM] Comentários:
tra.ça. S.f.1.Designação comum aos insetos tisanuros, especialmente os da família dos lepismatídeos. 2. A rigor, as larvas dos lepidópteros, que atacam tecidos e papel. 3.Fig. Aquilo que destrói pouco a pouco. 4.Fig. Pessoa maçante, cacete. às traças. Diz-se daquilo que é abandonado, que não recebe cuidados por longo período.
F.Schüler [5/24/2007 11:00:26 AM] Comentários:
Sinais vitais
Mais uma semana de concorrências e documentações a serem revisadas e editadas - e tarefas quase inconciliáveis no meu plano de recuperação financeira e burocrática. Terei pouco tempo sequer para pensar em escrever.
Mas pelo menos recuperei o celular e encontrei alguém que quase nunca consigo ver em dias de semana.
F.Schüler [4/24/2007 12:35:40 PM] Comentários:
Utilidade pública
Estou temporariamente sem celular, porque esqueci o aparelhinho na casa de uma certa moça mui letrada. Devo reavê-lo amanhã ou depois. Abusem dos demais canais de comunicação, sim?
F.Schüler [4/23/2007 04:52:18 PM] Comentários:
Emprestada
São Paulo é uma metrópole canina. Entre cães e gatos, as pessoas por estas bandas parecem ter uma preferência especial pelos primeiros. Enquanto labradores, poodles, pastores-alemães, pitbulls e tantos outros são vistos passeando com seus donos em quase todas as ruas, os felinos que tanto me fazem falta vivem às escondidas, sorrateiramente, pelos cantos da cidade, já que os telhados de que eles gostam não se encontram a menos de cinqüenta metros de altura.
Nininha, esta beleza de gata de pêlos longos e cinzentos, é um lindo exemplo desses bichanos geograficamente reprimidos. Sua dona, a manicure que atende minha namorada em domicílio, tem medo de que ela fuja, se perca, desapareça no meio desta confusão de cimento e vidro - e assim ela vive dentro de casa, aconchegada mas atenta à barulheira lá de fora.
De vez em quando, como ontem, sua dona a leva para passear e ela acaba ganhando um colo novo e acidental. Trabalho para a manicure, unhas feitas para a cliente, liberdade para a gata, contato felino para mim. E uma camiseta preta cheia de pêlos grudados que precisou ser escovada para não gerar uma epidemia de rinite.
F.Schüler [4/23/2007 08:36:32 AM] Comentários:
Dryspell
Eu não sei por que. Talvez seja porque tenho dedicado muito tempo a rever meu comportamento com relação a contas e dinheiro, a me reeducar, e isto tem ocupado noventa por cento dos meus processos mentais.
Talvez seja porque tenho dado atenção a alguém que conquistou um espaço de grande importância na minha vida. Talvez seja porque estou, pelo menos predominantemente (na pequena porção de vida que tem sobrado para além das preocupações monetárias), em paz.
Talvez, ainda, eu esteja subliminarmente elaborando algo diferente e não queira ficar me repetindo ou escrevendo mais do mesmo até lá.
O fato é que tenho vivido não sem o que escrever ou sem o saber do como fazê-lo, mas sim sem a necessidade, a necessidade imediata, de escrever coisas.
Não se preocupem. Daqui a pouco eu volto.
F.Schüler [4/22/2007 01:19:22 PM] Comentários:
Enobrece mas não enriquece
Muito bem, vocês adivinharam: esta é mais uma daquelas fases em que eu apenas trabalho e durmo, e muito mais da primeira coisa do que da segunda.
Sentem-se em qualquer lugar e bebam alguma coisa que eu já volto.
F.Schüler [4/3/2007 01:28:13 AM] Comentários:
A balada de Sir Fabiano
Por favor, perdoem-me a ausência e também por comunicá-la assim, retroativamente. O caso é que tirei as últimas duas semanas de folga do trabalho, devidamente descontadas como minhas "férias" anuais. Sim, sim, eu tenho direito a férias, por mais que às vezes todas as evidências pareçam contrariar o fato de eu ter carteira assinada - e me fazer esquecer dele.
Foi uma folga anunciada, recomendada por minha médica e por isso mesmo muito bem-vinda. Mas não fiquei aqui, mofando, nos quinze últimos dias. Pelo contrário. Aproveitei esse tempo para cuidar de uma série de coisas muito necessárias e que, se não fossem organizadas com certa urgência, acabariam me metendo em encrenca.
Há bastante tempo, desenvolvi uma espécie de fobia a bancos, contas e burocracias de qualquer espécie. Evitar bancos e não controlar o valor das próprias contas não é exatamente a maneira mais saudável de se viver num mundo regido pelos juros, o telemarketing e a implacável matemática financeira. Devido a esta dificuldade de enfrentar as coisas práticas do cotidiano, desde que me mudei para São Paulo vinha vivendo um estilo de vida um tanto irresponsável.
Eu precisava, portanto, de um tempo só para mim, em que eu pudesse dispor da calma e do descompromisso necessários para meter a mão nessa caixa suja de contas, dívidas, telefonemas e negociações, certo? Errado. Um tempo só para mim resultaria em muita preguiça, horas intermináveis diante da TV, uma certa dose de turismo urbano, muito relaxamento - e a mais completa procrastinação. Deixado aos meus próprios cuidados, eu jamais teria conseguido a coragem de misturar minhas preciosas "férias" (ora, deixem as aspas, foram só quinze dias) com a desagradável rotina de ir a bancos, ligar para o cartão de crédito e negociar com corretores de imóveis. São os dragões. Os gigantes, se preferirmos puxar o gancho do post anterior. E eles me metem um medo desgraçado.
E como se resolve isso? Perguntem à donzela que costura as feridas do cavaleiro errante no fim do dia. Ela tem uma habilidade inédita para empurrá-lo até que ele enfrente o que precisa, para fazer o que não consegue fazer sozinho. É ela que faz com que nosso herói entenda que certos contratempos não são exatamente o fim do mundo, e isto faz toda a diferença.
Nas duas últimas semanas, com a ajuda de uma certa mocinha, resolvi mais problemas pessoais do que nos últimos dois anos. Minhas contas foram, pela primeira vez, colocadas numa planilha do Excel. Enfrentei a dívida do cartão de crédito e descobri que ela é muito menor do que imaginava - e, pela primeira vez em um ano e meio, pude deixar de ver aquele pequeno retângulo de plástico como uma chancela portátil do inferno. Negociei minha dívida de condomínio e agora sei que posso pagá-la. Informei-me sobre a melhor forma de parcelar minha dívida no banco e passei a ver a administração dela, mais uma vez, como algo possível. Paguei contas atrasadas, as do mês corrente e - aleluia - até algumas adiantadas. E ainda sobrou tempo para repousar das justas, dos duelos e das batalhas num colo macio e perfumado.
Mil vezes ao longo da vida eu critiquei a idéia de por trás de um grande homem, uma grande mulher. Sempre acreditei que a frase deveria ser reformulada, que o lugar delas era sempre ao nosso lado, nunca atrás, à nossa sombra. Agora entendo e reconheço a sabedoria do adágio. E reformulo outra vez: às vezes, para o bem de um grande homem procrastinador, precisa haver, atrás dele, uma grande mulher - munida de um respeitável rolo de macarrão.
F.Schüler [3/26/2007 08:58:19 AM] Comentários:
730 dias
Dois anos de São Paulo. Dois anos vivendo dentro do Gigante.
Ele usou esse tempo para pacientemente mastigar, saborear e engolir minha carne. Ele me devorou, um pedaço de cada vez, e agora estou inteiro dentro de sua monstruosa barriga.
E com licença, mas eu ainda planejo dar-lhe uma indigestão dos diabos.
F.Schüler [3/8/2007 11:55:54 AM] Comentários: